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Além do talento...


Numerosos estudos têm demonstrado que ser-se talentoso em alguma arte ou ofício exige vocação, paixão, entrega e um pouquinho de genialidade desde muito cedo. Depois é preciso trabalhar o talento, aperfeiçoá-lo com insistentes horas de dedicação e melhoria no desempenho. Estima-se que são precisas cerca de 10 mil horas para se chegar ao nível da elite dos melhores. Mas não chega para um desempenho de excelência.

Outros estudos, que compararam pessoas talentosas e bem treinadas, descobriram que os melhores dentre eles tinham algo mais: revelavam um conhecimento alargado da sua área de trabalho, o que lhes permitia estar mentalmente mais envolvidos e serem geniais, os melhores entre os melhores.

Um exemplo: um médico pode ser talentoso, altamente cotado, por ter estudado e praticado muito. Mas haverá melhores do que ele e entre esses estão aqueles que sabem mais sobre as diferentes áreas do saber ligadas à saúde como a biologia, a psicologia, etc. Ou seja, o conhecimento adicional, a formação contínua - feita de entrega apaixonada e deliberada - é que torna os talentosos em génios notáveis.

Estamos numa época do mundo em que precisamos de pessoas talentosas (bem conhecedoras e técnicas) em todas as profissões. Mas cada vez mais carecemos de autênticos génios. De médicos que não saibam apenas de medicina mas de psicologia humana; de gestores que não percebam apenas de gestão mas de filosofia, de sociologia e de psicologia; de psicólogos que não conheçam apenas as melhores terapias mas tenham uma cultura alargada que lhes permita enquadrar os problemas dos seus clientes nos devidos contextos sociais, económicos, filosóficos, espirituais, biológicos e médicos que os afetam.

Ou seja, essas pessoas têm as mentes preparadas para saberem da sua profissão mas também para acrescentarem novos e permanentes conhecimentos. São especialistas, de facto, mas são também pessoas que possuem um conhecimento multidisciplinar em constante expansão e aprofundamento.